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INFÂNCIA
Criança brinca no mar. Desenvolvimento
motor permite movimentos amplos e precisos.

Período da vida humana contido entre o nascimento e a puberdade. Durante essa fase o indivíduo é denominado criança. Essa é a etapa mais importante do processo de formação da personalidade. Durante a infância ocorrem grandes transformações físico-motoras, desenvolvem-se a intelectualidade e a socialização. Esses processos são contínuos e interligados, influenciam-se mutuamente e apresentam ritmo que difere de indivíduo para indivíduo. Essas variações geralmente são determinadas por fatores ligados à hereditariedade e ao ambiente, ou seja, dependem da predisposição genética e da qualidade e quantidade dos estímulos que a criança recebe.

Mãe brinca com seu bebê. Estímulo desde cedo permite o pleno desenvolvimento da criança.

Desenvolvimento Físico-Motor. O organismo da criança ganha novas proporções (altura e peso) enquanto ela adquire e aperfeiçoa capacidades e funções que lhe permitem realizar atividades progressivamente mais complexas e com habilidade cada vez maior. A principal conquista nos primeiros 18 meses é a locomoção em posição ereta. Tornar-se bípede significa ampliar o ambiente físico e social. Igualmente a conquista da manipulação, com início nos primeiros meses, quando a criança apenas segura alguns objetos, e se aperfeiçoa ao longo dos anos, com movimentos cada vez mais coordenados, permite a ela adquirir independência e ajuda a dar vazão à criatividade.

O desenvolvimento motor está relacionado à coordenação de movimentos amplos e finos. As habilidades motoras amplas, as primeiras a serem adquiridas, incluem movimentos realizados por intermédio dos grandes músculos. Arrastar, engatinhar, andar e saltar são alguns deles. As atividades motoras finas, desenvolvidas a partir da fase pré-escolar, envolvem o uso das mãos e dos dedos, requisitados em atividades como a de encaixar as peças de um quebra-cabeça, empilhar brinquedos, fazer um desenho, segurar uma tesoura e fazer recortes ou escrever.

Essas habilidades são aprimoradas à medida que a criança cresce e adquire capacidade para controlar os músculos. Isso é o resultado da maturação de tecidos nervosos, do aumento do tamanho e da complexidade do sistema nervoso central e do crescimento dos ossos e dos músculos.

No primeiro ano de vida, o progresso é extraordinário. Ao nascer, a criança apresenta apenas reações reflexas, substituídas por reações voluntárias e coordenadas ao longo do desenvolvimento. Aos 12 meses, a maioria já consegue ficar de pé sem apoio e dar alguns passos. No primeiro ano, ela cresce entre 20 e 25 cm e triplica de peso.

Entre os 12 e 24 meses, a criança ganha mais 10 cm e aprende a controlar os esfíncteres, músculos responsáveis pela retenção ou liberação da urina e das fezes. Ao completar 2 anos, corre com desenvoltura, é capaz de folhear livros e empilhar peças de brinquedos. Aos 3 anos, consegue colocar os sapatos e a roupa sem ajuda. Nessa fase, a primeira dentição se completa. Aos 5 anos, a criança já elabora desenhos respeitando as margens do papel. A partir dos 6 anos, o ritmo do crescimento diminui, acelerando novamente na puberdade.

Pai lê jornal com o filho. Desenvolvimento emocional depende das relações pessoais.

Desenvolvimento Emocional e Social. Durante a infância, o crescimento e o desenvolvimento emocional estão estreitamente relacionados. O desenvolvimento físico afeta o desenvolvimento social, emocional e intelectual da criança, e estes também interferem na aquisição das habilidades motoras.

Quando a criança começa a andar, ocorre uma revolução em sua vida. Trata-se de um grande salto no processo de socialização, o momento que tem início sua integração ao mundo dos humanos.

Mas o desenvolvimento emocional não segue o ritmo das habilidades motoras e intelectuais. Aos 2 ou 3 anos, embora já consiga correr e se expressar relativamente bem verbalmente, a criança não distingue os limites entre fantasia e realidade ou entre permitido e proibido; é egocêntrica; não tolera frustrações. Esse descompasso é a principal causa de atitudes explosivas, como as frequentes birras, as mordidas e outras agressões. Com cerca de 4 anos, a criança aprende a expressar sua agressividade de outras maneiras e passa a perceber e a respeitar as vontades, os desejos e as opiniões dos outros.

Por volta dos 6 ou 7 anos, começa um período de latência, a fase mais tranqüila da infância, que se estenderá até o início da puberdade. Nesse período, a criança adquire melhor controle sobre os sentimentos e as emoções, respeita as normas sociais e desenvolve a capacidade de concentração. Os impulsos agressivos são substituídos por novos interesses e habilidades, como a escola, os amigos ou a partida de futebol.

Meninas na sala de aula. Entre os 6 ou 7 anos, crianças entram na fase mais tranqüila da infância.

Desenvolvimento Intelectual. Para realizar ou aprender novas atividades e desenvolver a capacidade de raciocínio, a criança necessita passar por um processo progressivo de maturação física e psicologica. Ao nascer, ela está biologicamente preparada para experimentar a maioria das sensações. À medida que cresce, aprende a organizar e a interpretar as impressões sensoriais. Isso envolve o desenvolvimento do sistema nervoso central, para que o cérebro seja capaz de processar os estímulos recebidos por meio dos órgãos do sentido – visão, audição, tato e olfato.

Da mesma forma que o ritmo do desenvolvimento físico-motor é influenciado pelos cuidados médicos e pela qualidade da alimentação que recebe, o desenvolvimento de seus interesses e de sua capacidade intelectual depende de estímulos, como atenção familiar, posse de brinquedos e de livros, além de oportunidades de praticar alguma arte, tocar um instrumento musical ou executar trabalhos manuais, entre outros. Estudos sobre a infância apontam a importância de o grupo social, especialmente os pais ou o adulto responsável, participar das brincadeiras, interessar-se pelas descobertas da criança, contar histórias e responder às indagações infantis, entre outras formas de interação. Esses estudos condenam a superestimulação e salientam que nem sempre a criança está madura para aprender tudo aquilo que os adultos gostariam de lhe ensinar. Uma boa maneira de saber o que a criança já está pronta para aprender é a manifestação de seu interesse.

Alguns estudiosos defendem a existência de “janelas de oportunidade”, ou seja, momentos determinados para que a criança seja estimulada a desenvolver novas habilidades. De acordo com essa teoria, há uma idade ideal para dar início ao aprendizado de qualquer atividade, como uma língua estrangeira, a prática de artes ou de esportes.

Diferenças de Ritmo. Toda criança normal passa pelas mesmas fases de desenvolvimento, mas atravessa essas etapas em ocasiões diferentes e com ritmo próprio. Isso pode ser observado em uma mesma família, entre irmãos. O momento em que cada um conquista novas habilidades e a maneira como executa tais atividades variam de indivíduo para indivíduo.Uma criança pode aprender a andar antes de completar um ano. Outra, igualmente normal, pode fazer isso apenas por volta de um ano e meio. Algumas controlam os esfíncteres aos 18 meses ou até antes; outras, só depois dos 2 anos e meio. Essas e outras diferenças são percebidas na primeira infância e continuam presentes ao longo do desenvolvimento. As crianças diferem no aspecto físico, crescendo mais ou menos do que outras da mesma idade. Também diferem no temperamento e na idade em que entram na puberdade.

Crianças brincam juntas. Por volta dos 4 anos, começam a perceber e respeitar a vontade dos outros.

O Papel da Hereditariedade e do Ambiente. Cada criança herda do pai e da mãe características físicas, como a cor dos olhos, o tipo de cabelo e o aspecto geral da estrutura óssea. A hereditariedade influencia a capacidade intelectual e algumas tendências comportamentais e de temperamento, além de estabelecer os limites fisiológicos e psicológicos sobre os quais o ambiente atuará.

É o ambiente que propicia condições para que a personalidade e as habilidades físicas, motoras e intelectuais se desenvolvam. O meio em que a criança cresce afeta seu ritmo de desenvolvimento e o sentido em que isso ocorre. O grau de verbalização, o interesse por novas descobertas, o relacionamento com crianças da mesma idade, entre outros, são influenciados por fatores externos. Filhos de pais que conversam bastante adquirem vocabulário maior e em menos tempo do que outras crianças. Famílias que lêem livros, jornais e revistas despertam o interesse pela leitura; aquelas que praticam atividades físicas alimentam o gosto por esportes; as que mantêm um bom círculo de amizades facilitam a socialização da criança.

O Desenvolvimento da Personalidade. A personalidade de um indivíduo começa a se desenvolver logo após o nascimento, continua ao longo da infância e pode estender-se por toda a vida. A maioria dos estudiosos, no entanto, acredita que as experiências precoces são as que influenciam mais fortemente o desenvolvimento da personalidade. A maneira como cada pessoa vai reagir a algumas situações, vai lidar com as frustrações e vai relacionar-se com seus semelhantes quando adulta é determinada nos primeiros anos de vida.

Os pais ou outros adultos com quem a criança convive são seu modelo de conduta e sua referência de comportamento. Desde os primeiros anos, a criança costuma imitá-los em tudo – no que fazem e na maneira como fazem. Aprende muito mais com o que observa do que com o que ouve.

De acordo com estudiosos da conduta infantil, a imposição de regras e limites pela família e a firmeza dos pais quando se trata de corrigir a criança são fundamentais à formação de seu caráter. A família que exerce sua autoridade no processo educativo e evita castigos físicos forma crianças mais tranqüilas e seguras.

Para os especialistas, a criança que experimenta pequenas doses de frustração por não ter todas as suas vontades atendidas, sejam estas um passeio ou a aquisição de um novo brinquedo, tende a desenvolver uma personalidade mais adequada ao convívio social. A escola, os amigos, a TV e o tipo de brinquedo a que tem acesso também cumprem um papel importante no desenvolvimento da conduta infantil.