Por que medir o tempo e quais as formas de fazer isso?
A necessidade de medir o tempo surgiu em diferentes sociedades, desde épocas bem remotas, em função de diferentes fatores. Para comemorar rituais importantes para o grupo, festas religiosas e, principalmente, para saber a época certa para plantar e para colher, era preciso orientar-se no tempo. Foi observando o céu e os fenômenos da natureza que o homem criou as primeiras formas para dividir o tempo. A partir de observações sobre as fases da Lua e a sequência de dias e noites, foram criados as semanas e os meses, dando origem aos diferentes tipos de calendário. As divisões de tempo foram se aperfeiçoando e começaram a ser consideradas as estações do ano, as cheias e vazantes dos rios, as épocas das chuvas e da seca etc. Baseado no ciclo lunar se encontra o mais antigo calendário romano, o calendário judaico, e os atuais calendários chinês e muçulmano. Alguns povos, no entanto, preferiram medir a passagem do tempo considerando o movimento aparente do Sol no céu. Os egípcios, por exemplo, basearam sua contagem de tempo na observação do Sol e da posição das estrelas. Também estão ligados ao ciclo solar o calendário juliano, instituído pelo imperador Júlio César em 45 a.C., e o calendário gregoriano, implantado pelo papa Gregório XIII em 1582 d.C. Este último é o calendário que usamos até hoje em quase todos os países. Para os povos indígenas brasileiros, a divisão e a contagem do tempo baseiam-se nas épocas de plantio e colheita e têm relação direta com os fenômenos da natureza. Veja alguns exemplos: época das primeiras chuvas, época em que os rios começam a encher, época da desova de tracajá (tartaruga), período difícil para a pescaria, época em que as frutas do pequi começam a cair, época em que as plantas ficam no ponto de colher etc. Além dos calendários, o homem criou outras formas de medir o tempo. O relógio de sol foi a primeira ideia que surgiu para realizar essa divisão e não marcava horas, apenas dividia o dia. Mais tarde, por volta de 400 a.C., surgiu o relógio de água ou clepsidra e o relógio de areia ou ampulheta. A divisão do tempo em horas surgiu a partir do século XIV, com a invenção de um sistema de movimento chamado foliote. Por volta de 1600, no entanto, Galileu Galilei descobriu as leis que regem as oscilações pendulares, o que representou uma grande conquista na divisão do dia em horas.