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Infância

Crianças têm excesso de atividades

03/03/15

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daffodilred/Shutterstock

Elas são submetidas cada vez mais cedo a um processo estressante e exaustivo de vida

Edição: Ana Loiola

O que significava férias para você quando era criança? E o tempo livre após a escola? Muitos responderiam que usavam esse tempo para brincar, mas hoje isso não é tão comum. Partidários do movimento slow parenting (pais sem pressa) alertam para a corrida que se tornou a infância e para a agenda repleta de atividades que as crianças possuem. (Veja matéria completa.)

Abaixo, veja como a forma de brincar e o comportamento na infância mudaram e entenda a contradição que a vida moderna nos trás.


É tempo de brincar

Por Clarissa Krause e Priscila Szmyhiel, especialistas em Pedagogia

Zurijeta/Shutterstock
A brincadeira deve se encaixar na rotina das crianças junto com as atividades extras
Se pudéssemos fazer o uso de uma máquina do tempo e nos transportássemos para o passado, iriamos perceber que muitas coisas que conhecemos hoje não existiam ou eram totalmente diferentes. Além dos objetos, o comportamento e o cotidiano se modificaram e as crianças são as que mais foram influenciadas por essas mudanças.

Há algumas décadas íamos para a escola e tínhamos o restante do tempo livre para brincar: andar de bicicleta, brincar de boneca com a vizinha ou jogar bola na rua. Mas o mundo de hoje está competitivo. Para conseguir uma boa colocação, muitas vezes é necessário falar mais de dois idiomas e ter diversos cursos. Isso faz com que os pais exijam muito mais das crianças, matriculando-as em várias aulas extras. Há também aqueles pais que buscam diversas atividades por conveniência, já que devido ao dia corrido não têm tempo para ficar com os filhos e os colocam em aulas de esportes, danças, música, artes, entre outras.

Amarelinha, bola de gude, passa-anel e cantigas de roda, você conhece?
Mas será que esse excesso de atividades é realmente o melhor para uma criança? Sem sombra de dúvidas algumas são importantes para seu desenvolvimento, mas brincar também é. É brincando que elas vivenciam o cotidiano e aprendem valores para a vida toda: regras e limites, conviver e respeitar, ganhar e perder, além de desenvolver sua inteligência.

A brincadeira deve se encaixar na rotina dos pequenos junto com as atividades extras, que por sua vez devem ser escolhidas de acordo com o interesse das crianças e suas afinidades, sempre respeitando a idade e os gostos para não transformá-los em pequenos adultos que já vivenciam os estresses do cotidiano.

Veja em infográfico abaixo como e a forma de brincar mudaram ao longo dos anos:
Bruna Tiso e Gisele Toledo



Vida contraditória

Por Luis Vinicius Belizário, especialista em Sociologia

Kamira/Shutterstock
As crianças começam a ser preparadas cada vez mais cedo para o mundo competitivo
Ao observar o modo de vida do indivíduo moderno, é impossível não se deparar com os dilemas da vida em sociedade. Por um lado exaltamos e festejamos os avanços tecnocientíficos, a prosperidade econômica e a expansão da educação, mas por outro, reclamamos da falta de tempo, da impessoalidade das relações humanas e das exigências e responsabilidades impostas pela sociedade cada dia mais cedo.

Percebemos de forma mais explícita esse modo de vida cosmopolitano e ocidental quando vemos a rotina das futuras gerações ou lemos as recomendações e alertas de psicólogos e outros profissionais especializados em infância. Nossas crianças a cada dia assumem mais responsabilidades e reduzem o tempo livre em suas agendas. Sim, crianças com três, cinco, sete anos já possuem agendas com dias repletos de atividades.

Natação, ballet, judô, futebol, inglês, teatro e aulas de reforço escolar são apenas algumas das muitas atividades que as crianças “precisam assumir” (fora o seu compromisso com a escola) para que em um futuro próximo não se tornem “fracassadas”.

As exigências do mundo corporativo, globalizado e competitivo não permitem que protelemos a sua compreensão. Ele exige que a cada dia os seus futuros gestores saibam o quanto antes a maneira como ele funciona (com isso, se evita o natural estranhamento). Por esse motivo é que nossas crianças são submetidas cada vez mais cedo a esse processo estressante e exaustivo de vida.

E a contradição não termina por ai. Em nossos currículos escolares possuímos como conteúdo valores como respeito, ética e conceitos de cidadania. Preparamos nossos estudantes e futuras gerações para que valorizem e respeitem o próximo, mas quando eles chegam ao mercado de trabalho, a lógica do mundo corporativo é outra. Sabotagens, assédio moral, mentiras e pressão psicológica são caracteríscas facilmente encontradas e muitas vezes aplicadas sem receio nesses ambientes.

O quanto tudo isso é saudável? Independentemente do que já apontam os especialistas, do que já temos comprovado pelas pesquisas, o mais importante nesse momento é encontrarmos uma coerência em nosso modo de vida, pois atualmente estamos “correndo atrás do próprio rabo”, sem chegar a lugar algum (mesmo que muitos afirmem o contrário).

Ao levantar essas reflexões, não há como não buscar nas palavras de um filósofo e educador indiano a melhor forma de resumir tudo isso. Jiddu Krishnamurti um dia disse: “Não é demonstração de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente”. Se concordamos com os especialistas de que a questão é a busca por saúde e bem-estar, o caminho a seguir é mesmo a preparação de nossas crianças para esse mundo tão competitivo e contraditório, ou será que precisamos repensar e reorganizar o nosso modo de vida?


Tema: Por uma vida mais saudável e feliz

Disciplina(s): Sociologia

Matriz de Referência de Ciências Humanas e suas Tecnologias

Resumo: O desenvolvimento tecnológico e todos os avanços científicos criaram um novo modo de vida e de organização da sociedade. Algumas práticas e hábitos foram adotados em nome da produtividade e da concorrência e, na maioria das vezes, a população nem consegue questioná-los.


Conheça a equipe do Jornalismo Educativo


Tags da matéria
Educação, Tecnologia, TICs

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