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Saúde

Cura que vem da natureza

03/03/15

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Csaba Peterdi/Shutterstock

De civilizações muito antigas até hoje, estudiosos buscam na natureza novas substâncias com características farmacológicas

Edição: Ana Loiola

Um grupo de pesquisadores australianos divulgou um estudo que promete criar analgésicos mais potentes que a morfina a partir de uma proteína extraída do veneno do caracol marinho conus. Segundo os cientistas, os analgésicos teriam menos efeitos colaterais e menor risco de dependência. (Veja matéria completa.)

Abaixo, entenda o que é capital natural, sua relação com a indústria farmacêutica e conheça alguns tipos de medicamentos criados a partir de seres vivos.

O que é capital natural?

Claudia Ismania Samogy Costa, especialista em Biologia

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Todd Gipstein/Getty Images
Floresta Amazônica
O Brasil detém a maior diversidade genética vegetal do mundo, com matéria-prima para muitas pesquisas
conceito de capital natural está relacionado à totalidade de recursos naturais disponíveis ao homem e aos benefícios que esses recursos nos propiciam. Podem ser recursos tangíveis, como a água, a madeira, o alimento e a terra, ou recursos não tangíveis, como o valor espiritual e cultural que certos ambientes naturais representam para diversas comunidades. É nesse conceito que se considera a capacidade do planeta em fornecer recursos naturais para o homem e para a economia e também de reciclar e absorver os resíduos gerados. 

No entanto, o capital natural envolve e é dependente de complexos processos e interações entre as partes que o compõem. Tais aspectos podem não ser considerados ao se fazer o cálculo correspondente ao seu valor ou até mesmo quando destruímos parte de um ecossistema em nome de avanços econômicos. Por exemplo, a polinização de uma flor realizada por uma abelha é um serviço prestado pela natureza que não entra no cômputo de perdas quando destruímos uma floresta. Dessa forma, a ideia da natureza como um tipo de capital pode levar à visão de que sua destruição pode ser balanceada ou substituída por outro tipo de capital. A destruição do capital natural de um país em nome do crescimento econômico pode levar à falsa ideia de prosperidade, quando na verdade muito de sua riqueza se perdeu, principalmente se pensarmos a longo prazo.
Saiba mais sobre a Amazônia

Historicamente, o desenvolvimento da sociedade moderna ocorreu sem grandes preocupações com o meio ambiente, como se o planeta fosse capaz de fornecer recursos infinitamente. No entanto, o crescimento populacional, o aumento do consumo pelas sociedades e a degradação de muitos ecossistemas fizeram com que a capacidade de fornecer matérias e serviços para a humanidade pela natureza fosse extrapolada. Hoje, consumimos muito mais do que o planeta é capaz de sustentar. Além disso, a ação despreocupada de alguns governos com relação ao meio ambiente e, inclusive, a ação indevida de cada cidadão também são fatores que levam a um consumo além do suportado.

Pensar de forma sustentável é garantir recursos e qualidade de vida para gerações futuras. Dessa forma, é mais do que necessária a conscientização da dependência dos serviços e produtos prestados pela natureza e de que tais recursos são finitos e não estarão disponíveis caso não sejam preservados. O desenvolvimento de uma economia sustentável, visando justamente ao uso de recursos naturais de forma consciente, bem como o desenvolvimento de programas de preservação e conscientização ambiental por parte dos governos e até mesmo pequenos atos de cada cidadão, é a chave para a utilização da natureza sem seu esgotamento.

A indústria farmacêutica e o capital natural

Alexander Raths/Shutterstock
Algumas células vegetais são cultivadas em laboratório
Uma das aplicações do capital natural em benefício da sociedade é a obtenção de fármacos. O uso de plantas com compostos medicinais é uma prática que vem sendo realizada desde civilizações muito antigas. Com o tempo, acumularam-se conhecimentos sobre os efeitos e a toxicidade de cada planta, mas durante muito tempo não havia comprovação científica sobre como cada uma agia no organismo. Os esforços da ciência para estudá-las só vieram quando se percebeu que os princípios ativos presentes nelas poderiam ser isolados e identificados, sendo utilizados depois para produção de remédios e cosméticos.

Muitas vezes a síntese dos princípios ativos é muito complexa, tornando-se economicamente inviável.
Time & Life Pictures/Getty Images
Em 1947, pesquisador extrai veneno de cobra no Instituto Butantan
Dessa forma, os cientistas buscam alternativas como a extração da própria planta, o melhoramento genético e o cultivo de células vegetais em laboratório. Além disso, muitas vezes esses compostos não são encontrados em uma forma apropriada para utilização como fármaco, mas servem como modelo para a produção deste. Nesse sentido, o Brasil possui um grande potencial, uma vez que detém a maior diversidade genética vegetal do mundo, tendo matéria-prima para muitas pesquisas.

Será que somente as plantas podem fornecer matéria-prima para a pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos? Não! Além das plantas, animais e microrganismos também podem ser usados na busca de novos fármacos, como é o exemplo da utilização de toxinas provenientes de escorpiões e cobras para produção de soros e vacinas. Confira abaixo alguns tipos de medicamentos criados a partir de seres vivos:

Bruna Tiso

Clique nos nomes para saber mais

Mas como os cientistas começam suas pesquisas? Em geral eles utilizam o conhecimento popular para iniciar suas pesquisas em uma prática conhecida como etnofarmacologia. Muitos estudos são feitos, como, por exemplo, em comunidades indígenas, na busca por plantas ou compostos de origem animal (ou ainda de microrganismos) que foram repetidamente relatados como bem-sucedidos no tratamento de alguma enfermidade. A partir disso inicia-se a busca pelo princípio ativo que pode se transformar em fármaco. Quando a busca por recursos biológicos e informações do conhecimento popular tradicional está associada a propósitos comerciais, ela passa a ser chamada de bioprospecção.

O princípio ativo já é um novo fármaco? Não. Para se tornar um fármaco são necessários muitos testes, primeiramente em culturas de células e animais e, em seguida, em humanos. Esses testes visam identificar os efeitos no organismo, a toxicidade e as possíveis interações com outros fármacos. Assim, após os estudos laboratoriais, o novo fármaco deve passar pela pesquisa clínica e em seguida pela aprovação do governo.

Biopirataria
Um problema associado à utilização de recursos biológicos como fonte de fármacos está relacionado à exploração de recursos biológicos de países com vasta biodiversidade por parte de países com mais tecnologia e recursos financeiros. Geralmente os países explorados apresentam pouca fiscalização e legislação deficiente, facilitando a exploração, o contrabando e a apropriação de seus recursos biológicos, bem como o conhecimento popular associado, para o desenvolvimento de novos fármacos e de patentes abusivas. Tal prática caracteriza a biopirataria.  


Tema: Indústria farmacêutica e biodiversidade

Disciplina(s): Biologia

Matriz de Referência de Ciências da Natureza e suas Tecnologias

Resumo: O conceito de capital natural traz uma nova visão de como as sociedades devem pensar e repensar os meios e formas de utilizar os recursos naturais. A partir do conhecimento de que a natureza também realiza ações, disponibiliza elementos e de que estes podem ser relevantes economicamente, propõe-se a reflexão das formas atuais de exploração do meio ambiente.


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Tags da matéria
Meio ambiente, Saúde

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